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quinta-feira, 17 de maio de 2018

17/05 - Dia Internacional Contra a LGBTfobia (homotransfobia nos quadrinhos)


O Dia Internacional Contra a LGBTfobia é observado no dia 17 de maio e busca coordenar eventos internacionais que promovam a conscientização das violações dos direitos LGBTs e estimular o interesse no trabalho desses direitos pelo mundo. A data foi escolhida para comemorar a decisão de remover a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (uma agência da Organização das Nações Unidas - ONU) em 1990.

Em 2010, o então presidente do Brasil, Lula, instituiu o dia 17 de maio como o Dia Nacional Contra a Homofobia, como a observância é chamada em nosso país.

Metas e Atividades

Símbolo da data
O propósito principal das mobilizações de 17 de maio é promover a conscientização da violência, discriminação e repressão da comunidade LGBT em todo o mundo, o que, por sua vez, oferece a oportunidade de agir e de dialogar com a mídia, com os formuladores de políticas, a opinião pública e a sociedade civil em geral.

Uma das metas estabelecidas é criar um evento que possa ser visível em um nível global sem precisar se adequar a um tipo específico de ação. Essa abordagem descentralizada é necessária devido à diversidade de contextos sociais, religiosos, culturais e políticos em que ocorrem violações de direitos.

Fonte

LGBTfobia nos Quadrinhos

E é com o intuito de participar do propósito dessa data que o blog LGBT Comics fez esse levantamento de casos conhecidos de LGBTfobia nos quadrinhos, que causaram impacto nos leitores e discussão em torno da violência contra os LGBTs e da violação dos nossos direitos.

Se você se lembra de algum interessante caso não relatado aqui, informe nos comentários abaixo (de preferência com a edição em que ocorreu).

Estrela Polar

A edição Alpha Flight Vol 1 #106 (1992) é de uma importância sem tamanho para a comunidade LGBT fã de quadrinhos. Foi nessa edição que o primeiro super-herói abertamente gay dos comics mainstream assumiu publicamente sua homossexualidade: Estrela Polar.
Jean-Paul e Joanne Beaubier
Nessa estória, Estrela Polar (Jean-Paul Beaubier) encontrou um bebê menina abandonado chorando num beco. Levando-a ao hospital, descobriu-se que ela estava com AIDS. O caso se espalhou pela mídia, atraindo a atenção de um ex-super-herói canadense da 2ª Guerra Mundial, Major Mapleleaf (Louis Sadler), que julgava injusto todo esse alvoroço em torno de um bebê soropositivo, quando o filho mais velho dele, Michael, também contraiu AIDS e morreu sem ter chamado a mesma atenção apenas por ele ser gay, denunciando a hipocrisia e a homofobia geral da sociedade.
Major Mapleleaf, que estava bêbado e sofria de depressão profunda, atacou o hospital e tentou matar o bebê, mas Estrela Polar o impediu, salvando sua então filha adotiva Joanne. Porém, quando o herói retornou ao hospital após a luta, Joanne morreu em seus braços por causa da doença. Após o incidente, Estrela Polar admitiu sua homossexualidade para a mídia ("I am gay" ['Eu sou gay'], ele disse em alto e bom som), buscando abrir o diálogo sobre a AIDS, a homofobia e outras questões importantes.

Terry Berg

Terry Berg é um jovem de 16-17 anos que escondia a própria homossexualidade por conta da intolerância dos seus pais e dos colegas da escola, dedicando toda sua energia à arte. Trabalhando para a revista Feast Magazine, ele foi indicado como assistente de arte do desenhista e ilustrador Kyle Rayner, que é secretamente um Lanterna Verde.
David e Terry
Como era de se esperar, Terry acabou se apaixonando por Kyle (também, quem não tem um crush por esse homem?), que demorou a perceber que ele era gay, mas após um desentendimento Kyle foi até a casa de Terry conversar com ele. Ele lhe disse que se sentia lisonjeado por seus sentimentos, mas que era hétero, e afirmou que não havia problema algum em ele ser gay. Após isso os dois se tornaram mais próximos, estreitando ainda mais a amizade.
Terry também começou a frequentar um centro de apoio a jovens LGBTs para começar o processo de autoaceitação. Também nesse meio tempo ele conheceu David, com quem começou a namorar, tendo todo o apoio de Kyle e da namorada deste, a super-heroína Jade. Na edição Green Lantern Vol 3 #154 (2002), numa noite em que eles andavam de mãos dadas e se beijaram em público, o casal foi perseguido por uma gangue de homofóbicos, que conseguiu pegar Terry e o espancou brutalmente quase até a morte. No hospital, ele entrou em coma, deixando Kyle, David, a família e os amigos desolados. Em vingança, o Lanterna Verde foi atrás dos criminosos e os espancou, chegando a torturá-los. Até mesmo o presidente dos EUA, Lex Luthor, enviou seu apoio à família de Terry. Kyle, entretanto, perdeu a vontade de proteger a humanidade tomada pelo ódio, e decidiu abandonar a Terra.
A lenta recuperação de Terry levou seus pais a se reaproximarem dele (embora seu pai ainda continuasse intolerante), mas o relacionamento com David se fortaleceu e eles foram morar juntos. Ele também transformou as adversidades de seu passado em um livro e o publicou para que o mundo pudesse aprender a tolerância através de sua história de vida, transmitindo a sua mensagem também através dos canais de TV.

Anole

Anole (Victor Borkowski) foi criado por Nunzio DeFilippis, Christina Weir e Keron Grant, estreando em New Mutants Vol 2 #2 (2003). Originalmente intentaram que Anole logo cometeria suicídio após revelar sua homossexualidade e ser rejeitado por sua família e seus amigos. A estória serviria como uma mensagem de intolerância, mas abandonaram essa ideia devido aos escritores da Marvel terem se preocupado com o efeito que isso teria no público.
Anole cresceu...
A estória mudou e Anole sobreviveu, tornando-se um personagem popular e um dos protagonistas em muitos títulos dos X-Men, onde seus pais o amam e o apoiam, bem como toda sua cidade natal, Fairbury, Illinois.
Ele tem seu professor e super-herói mutante gay, Estrela Polar, como um modelo.

Batwoman

Kate Kane, a super-heroína Batwoman, também já teve que enfrentar a homofobia em sua vida, especialmente no serviço militar, como mostrado em Detective Comics Vol 1 #859 (2010). Seguindo os passos do seu pai, um coronel do Exército dos EUA, Kate entrou para os Fuzileiros na Academia Militar de West Point, em Nova York, após sua mãe e sua irmã terem sido assassinadas. Lá ela se envolveu com a Cadete Sophie Moore, mas o comandante dela acabou descobrindo.
Kate confirmou que era homossexual ("Eu sou gay" ['I'm gay'], ela disse para o Coronel Reyes), mas não entregou Sophie para protegê-la. Por conta da política Don't Ask, Don't Tell (Não Pergunte, Não Conte), que vigorou nos EUA entre 1994 e 2011 e barrava a entrada e a permanência de gays, lésbicas e bissexuais assumidos nas Forças Armadas, Kate foi dispensada desonrosamente. Seu pai a perdoou e achou mais importante que ela não mentisse para se salvar.
A mesma história foi mantida após o reboot da DC Comics, conforme pode ser visto em Secret Origins Vol 3 #3 (2014).

Colossus

Na saga alternativa Ultimate X-Men, Piotr "Peter" Rasputin, o Colossus, conta para seu melhor amigo, Noturno, que é gay e está saindo com o Estrela Polar (Ultimate X-Men Vol 1 #65). Kurt Wagner, no entanto, não sabe como reagir a isso, e simplesmente desaparece com seu poder de teleporte numa nuvem de fumaça, deixando Peter também sem reação.
Nas duas edições seguintes Kurt tenta não se importar com isso, mas Peter percebe como o amigo foi afetado por sua revelação, e também que Kurt acha que ele está a fim dele, mas Peter garante que não gosta do amigo desse jeito; não é porque ele é gay que vai se interessar por cada homem que se aproximar dele. Mesmo assim a amizade entre eles continua afundando, e Kurt passa a evitá-lo. Na edição #70 Kurt, conversando sozinho, chama Peter de enganador e de abominação, e que está morto para ele.
Eles demoram a voltar a se entender, e vocês precisam ler a série para entender como isso é muito bem conduzido. Ultimate X-Men é uma das melhores leituras que eu já fiz no mundo dos quadrinhos, e muito se deve a como lidaram com a sexualidade de Colossus e seus relacionamentos (amores, amizades, colegas...) ao longo da saga.

Cálice

"Eu quero ser eu mesmo.
Mas o único jeito de eu poder ser eu mesmo...
...é quando eu sou ela."
Charlie é um rapaz trangênero que esconde da sua família que está fazendo a transição para o sexo feminino. Além disso, ele é também a super-heroína conhecida como Cálice (Chalice), protagonista da série de quadrinhos Alters. Cálice é uma alter (abreviação de "alteração" [alteration no original]), uma nova raça de super-humanos cujos poderes têm trazido muitos desafios (e perigos) à sociedade.
Em meio a isso tudo Charlie precisa conviver em um meio não muito tolerante com as diferenças, e a cada dia que passa sua relação com a família só vem piorando, com seus segredos cada vez mais difíceis de esconder. Até quando Charlie/Cálice irá aguentar calado/a a opressão que o mundo sequer sabe que ele/a sofre? Só lendo as páginas de Alters para saber.

Gannon Malloy

Gannon Malloy é um oficial do Departamento de Polícia de Blüdhaven, estreando em Nightwing Vol 2 #71 (2002), mas só na edição #77 revela-se que ele é gay. Nesta, vemos Malloy sendo espancado no vestiário da polícia por vários outros policiais após ele ter sido trocado do turno da noite para o do dia, destacado para ser o novo parceiro de Dick Grayson, o vigilante Asa Noturna. Durante o ataque, um dos policiais diz: "E agora temos que trocar de roupa na sua frente?"
Gannon e Dick
Já na edição seguinte vemos Malloy ser novamente agredido no vestiário, mas dessa vez Dick estava lá e o defendeu. Ao mencionar que ele teria que reportar isso, o líder dos agressores perguntou: "O que você é, Grayson? Namorado dele?" Então Dick responde, olhando direto nos olhos dele: "E se eu for?" O agressor tenta acertar um soco em Dick, que facilmente desvia, mas a briga chama a atenção da chefe de polícia, a Capitã Amy Rorhback, que entra no vestiário e logo os ânimos se acalmam. Dick tenta se mostrar amigável com seu novo parceiro, mas ele o rejeita, demonstrando uma culpa internalizada por ser hostilizado por ser gay. Entretanto, Gannon também é um policial corajoso e um grande parceiro, inclusive dando cobertura a Dick ao enfrentar o próprio Exterminador, o maior assassino do mundo, na edição #80.
Gannon vive uma relação estável com um homem chamado Ellis.

Homem de Gelo

Na recente série solo em quadrinhos do Homem de Gelo, o super-herói mais legal do mundo contou a seus pais que é gay em Iceman Vol 3 #4, mas somente na edição seguinte vemos a reação deles. A escrita da autora Sina Grace e os desenhos de Alessandro Vitti mostraram com bastante perfeição o que ocorre na maioria das famílias quando o filho ou filha conta aos pais que não é da orientação sexual (ou identidade de gênero) que eles esperavam por toda a vida.
"Eu sou gay."
A mãe de Bobby Drake, Maddie, culpa o marido William por isso, dizendo que "mutunas e bichas" ('muties and queers', em inglês) vêm do lado dele e não da família dela. Já o pai chegou a dizer na cara de Bobby que, para ele, o filho que criou estava morto.
Eu não vou dar muito mais spoilers por ser uma série recente (durou de agosto/2017 a maio/2018, com 11 edições), mas Kitty Pride, ex-namorada e grande amiga de Bobby, foi muito importante nesse processo entre o herói e seus pais, que ainda demoraria bastante para se concluir, se é que se concluiu, onde os três tiveram seus corações partidos. Mas leiam, por favor! Essa série contribuiu para tornar a minha vida melhor, e certamente a de muitos e muitas mais que a leram e se emocionaram com o processo de autoaceitação de Bobby Drake, nosso amado Homem de Gelo.

David Singh

No seriado de TV The Flash o capitão de polícia David Singh é um homem gay assumido, muito bem resolvido e casado com um homem chamado Rob, mas nos quadrinhos não é bem assim. Aqui ele é o diretor do laboratório criminal do Departamento de Polícia de Central City, onde Barry Allen (o Flash) trabalha, sempre estressado com o trabalho em parte por não saber como lidar com sua própria homossexualidade, tentando escondê-la de todos.
Em Flash Vol 4 #8 (2012) ficamos sabendo que Singh e Hartley Rathaway, o ex-criminoso conhecido como Flautista e hoje maestro da Sinfônica de Central City, estão romanticamente envolvidos, mas o diretor prefere manter isso em absoluto segredo, apresentando o músico a seus amigos e colegas simplesmente como seu amigo. Na edição seguinte vemos os dois discutindo acaloradamente, com David reclamando por Hartley aparecer no seu trabalho sem avisar, pois ele não quer que as pessoas os vejam juntos. E é claro que isso deixa Hartley magoado e cansado do relacionamento deles ser mantido escondido de todo mundo, lutando contra a homofobia internalizada do companheiro. Até quando ele aguentará isso? O Diretor Singh mudará essa postura? Eu já sei o desenrolar disso. Vocês já?
____________________________

Então, vocês já leram alguma dessas histórias? Leram alguma outra dos quadrinhos que não está aqui na lista? Contem como foi para vocês, o que vocês sentiram, como isso afetou a vida de vocês.

Como viram, elenquei uma variedade de casos, como homofobia e transfobia, na família, entre os amigos, no trabalho, nas forças armadas, nas ruas, na sociedade em geral e até homofobia internalizada, o que pode ser ainda mais grave.

Apesar do tema muito triste e pesado, espero que tenham gostado desta matéria!

Até a próxima!

2 comentários:

Rafael Santos disse...

Alters é uma das melhores coisas que saíram recentemente. É uma história incrível que resgata muito da raiz dos X-Men e atualiza de uma maneira extremamente tocante e interessante. Nem é necessário falar da importância de termos uma heroína trans. É mais que apenas representar, é incentivar. É mostrar para aquelxs jovens que independente de qualquer coisa, elxs podem ser heróis, salvar o mundo e fazer a diferença.

Fábio Alves disse...

Alters é mesmo uma das melhores novidades que apareceram nos quadrinhos ultimamente! Cálice é uma super-heroína de que o mundo dos comics precisava!!

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